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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Filtro Solar

Ouvimos na última aula de Conversação. Silvina (Carol) Katz colaborou com o video. Kaline Mendes foi quem me presenteou o CD.

Filtro Solar
Pedro Bial





Senhoras e senhores da turma de dois mil e tres:
Filtro solar!
Nunca deixem de usar filtro solar!
Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro,
seria esta: use filtro solar.
Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência;
já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.
Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder
e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar as suas fotos e
perceber de um jeito - que você nem desconfia hoje em dia
quantas tantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente,
e como você realmente tava com tudo em cima.
Você não está gordo! Ou gorda!
Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação
é tão eficaz quanto mascar chiclete
para tentar resolver uma equação de álgebra.
As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nunca
passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatro
da tarde de uma terça-feira modorrenta.
Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você.
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo.
É assim pra todo mundo.
Desfrute de seu corpo.
Use-o de toda maneira que puder. Mesmo.
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele.
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio.
Brother and sister
Together we'll make it through
Someday your spirit will take you
And guide you there
I know you've been hurtin'
But I've been waiting to be there for you
And I'll be there just helping you out
Whenever I can
Dedique-se a conhecer os seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado
e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas
e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,
mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear.
Você, também, vai envelhecer.
E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem,
os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,
e as crianças, respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez case com um bom partido.
Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar.
Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarenta
vai aparentar oitenta e cinco.
Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.
Mas no filtro solar, acredite!
Brother and sister
Together we'll make it through
Someday your spirit will take you
And guide you there
I know you've been hurtin'
But I've been waiting to be there for you
And I'll be there just helping you out
Whenever I can
Everybody's free...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Resenha dos blogs dos estudantes

De blog em blog vamos fazendo a blogosfera. Já fiz referência ao blog da turma de 4o nível de quartas, às 15 horas (ver último texto, logo abaixo), em que se podem ler resenhas dos capítulos discutidos. Nos blogs dos estudantes, as novidades a destacar são:

Do blog de Gabriela, do 4o nível,  uma resenha, em português, sobre a turnê da banda Hobbymundo http://orquideas-gastronoma-e-mais.blogspot.com/2010/05/musica-outro-hobby-mudial-cronica-do.html

Do blog de Leadro, do 6o, uma resenha de um livro de Agatha Christie. O autor da resenha fica nos devendo uma ponte com  "O Xangô de Baker Street", de Jô Soares, mas a resenha está muito boa. Confiram http://www.viajardesdeelsillon.com.ar/

Do blog de Gra, do 4o Nível, uma resposta de Cristóvão Buarque sobre uma possível internacionalização da Amazônia. Há um equívoco no título em que se mostra uma confusão com o nome de Chico Buarque e não tenho certeza se o texto foi realmente assinado por Cristóvão Buarque, mas os argumentos são muito bons. http://gracielapaiz.blogspot.com/2010/05/declaraciones-de-chico-buarque-ministro.html

Do blog de Hilda, 6o nível e Conversação, um texto sobre a manipulação das informações. Sobre os textos de Hilda, Juan, de outra turma do 6o, está devendo comentários às publicações polêmicas das autoras. A web 2.0. os blos, as redes sociais se caracterizam justamente por serem lugares em que todos os que participam são igualmente produtores e receptores de conteúdos, sem hierarquias. Se há um lugar de manipulação de informações, estamos num momento de pulverização das informações, mas ao mesmo tempo num momento raro de autoria. Vale lembrar o velho Chacrinha, famoso apresentador de programas de tv no Brasil, "Quem não se comunica, se trumbica", quem não se inclui na web 2.0 está ´perdendo o bonde da história http://hilda-hildamendoza.blogspot.com/2010/05/manipulacion-de-la-informacion.html

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Contribuições dos estudantes: A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água

No blog http://turma4to4ta.blogspot.com/ Iniciativa de Victor, com colaboração dos alunos do 4o Nível da turma de quinta, estão sendo publicados os resumos dos capítulos. Naturalmente esses resumos não devem subsituir a leitura. Pelo contrário, devem servir de estímulo para que todos leiam, façam seus resumos e confrontem com os resumos publicados no blog. E quem sabe, não podem surgir outras iniciativas das outras turmas ou dos alunos? Lembro que aqueles que desejarem podem se increver como autores neste blog e produzir os seus conteúdos, não necessariamente atrelados às aulas, como é o caso de Hilda Mendoza e Karina Spirillo, que já publicaram seus textos. Graciela, Gabriela e Victor criaram blogs e estão atrelando suas produções a este blog. E assim vamos fazendo o que se chama de blogosfera.

A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água

Não, este não é um texto sobre o romance que estamos lendo para o 4o nível. Quer dizer, é e não é. É sobre a morte de Wilson Melo, o nosso Quinca Berro D'Água. Sim, ele existiu e por uma infeliz coincidência morre no momento em que estamos lendo este livro. Eu assisti à  montagem da peça em que ele interpretava o Quincas, em 1996. Na época eu participava de um curso de Crítica Teatral e a peça era uma das 3 que deveríamos assistir para a partir dela escrever um texto, como exercício.

Wilson Melo não era Quincas só porque interpretou a personagem nos palcos, mas porque levava uma vida boêmia, assumidamente boêmia, e levava isso na raça, para onde ia. Optou pela vida noturna, dos becos. E eu, como qualquer jovem de minha geração que frequentou a noite de Salvador, o conhecia, lhe tinha respeito por ser um senhor de mais de 70 anos que frequentava os lugares que eu com vinte e poucos também frequentava. Sentamos na mesma mesa algumas vezes e nisso posso lhes garantir que não é privilégio meu. Muita gente sentou na mesa dele. O mundo sentava na sua mesa.

Wilson Melo era encarnação da própria arte. Não a arte bonitinha, bem feita, bem acabada, mas a arte como estilo de vida: contestação política por uma atitude de vida. Wilson Melo, como Quincas, era como o rock´n´roll, como o reggae, como o movimento hippie, como os românticos, como os beatniks, como os punks: não o que fizeram destes movimentos depois, mas a sua essência: contestação pela forma de ser, pelo comportamento. E nisso ele seguia em frente. A montagem referida era uma produção bem feita, cuidadosa, com uma verba razoável. Mas o ator Wilson Melo estava ali inteiro. Meio ele meio o outro, e ninguém sabia distinguir interpretante do interpretado: nem o mais íntimo de seus amigos.

E aí reside a ironia da proposta da montagem teatral. Eu vi Quincas Berro D'Água duas vezes no teatro Castro Alves, e depois, como é de praxe entre muitos jovens "alternativos" (nem pensem que vou esmiuçar a riqueza semântica que a classificação simplista emudece), eu saí da peça e fui tomar umas no Beco dos Artistas. E lá estava ele, O Wilson Berro Dágua, o Quincas Melo, gritando por cerveja, assobiando como só ele assobiava, cumprimentando a todos com a sua gentileza boêmia e me dando a esperança de que sim, que a arte tem uma dimensão muito maior que a nossa vidinha mais ou menos. A peça, para mim, era a evidência de que Jorge Amado estava muito mais próximo de minha realidade cultural do que eu mesmo imaginava.

Palmas para Wilson Melo. Que esteja assobiando por aí, no céu ou no inferno. Onde estiver, a diversão é garantida.  Contando piadas e lembrando das duas montagens do Quincas, e de tantos outros trabalhos no teatro, na tv e no cinema do qual participou. Evoé, Melão!

Alex Simões (professor, ex-boêmio e assíduo frequentador dos teatros da vida e dos palcos)

Vejam a notícia:

Morre ator baiano Wilson Melo


Pedro Fernandes  A TARDE

Morreu neste sábado pela manhã, em sua casa no Rio Vermelho, o ator baiano Wilson Melo. Aos 77 anos, ele era hipertenso e vinha sofrendo com uma trombose. O sepultamento aconteceu às 16h30, no cemitério Jardim da Saudade.




Ator premiado, trabalhou em mais de cem peças e aproximadamente 20 filmes, entre eles Dona Flor e seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. Seu último espetáculo foi O Terceiro Sinal (2008), dirigido por Deolindo Checcucci.



O ator tem entre seus trabalhos mais célebres duasmontagens da peça Quincas Berro D‘água. A primeira encenada em 1972, em adaptação de João Augusto e a última em 1996, sob direção de Paulo Dourado.


“Apesar da idade, ele nunca perdeu as motivações iniciais do ato artístico. A Wilson nunca interessou ser um grande ator. Lhe interessava ser um ator, estar em cena”, diz Dourado.


A alegria de viver e trabalhar nos palcos, segundo amigos e parceiros de cena, era uma das principais características de sua personalidade. “Ele fazia teatro sem dor. Não era um ator de queixa. Sua marca era o bom humor”, conta Paulo Henrique Alcântara, que o dirigiu em Lábios Que Beijei, ao lado de Nilda Spencer (1924 - 2008).


Em nota de pesar o secretário de Cultura do Estado, Márcio Meirelles lamentou a perda. “Grande ator, grande pessoa, companheiro. Malandro, eterno Quincas que encarnou, Wilson sai dessa vida para a Memória”.
http://atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=2574500